Entrevista com Sandra Duarte, Professora da Escola Secundária Luísa de Gusmão e Presidente do Conselho Geral do Agrupamento de Escolas Nuno Gonçalves

O Regulamento Interno do Agrupamento de Escolas Nuno Gonçalves define o Conselho Geral como o “o órgão de direção estratégica responsável pela definição das linhas orientadoras da atividade do Agrupamento, assegurando a participação e representação da comunidade educativa”. É composto por 19 elementos, segundo uma lógica de representatividade: 7 docentes de carreira, 2 representantes do pessoal não docente, 4 representantes da Comissão das Associações de Pais e Encarregados de Educação do Agrupamento, 2 representantes dos alunos do ensino básico e secundário e da educação de adultos, 2 representantes do município e 2 representantes da comunidade local (de instituições, organizações e atividades de carácter económico, social, cultural e científico). Entre as suas numerosas funções inclui-se a eleição do diretor, a aprovação do projeto educativo e dos planos anuais de atividades, a definição de linhas orientadoras no plano orçamental e a aprovação do relatório de contas do Agrupamento. Passou recentemente a ter como Presidente a Professora Sandra Duarte, que também tem um filho a estudar na Escola Básica Sampaio Garrido, e que teve a simpatia de responder a algumas perguntas que lhe fizemos sobre as atividades do Conselho Geral do Agrupamento.

1)    Quais têm sido os principais temas abordados nas reuniões do Conselho Geral ao longo do anterior mandato e do que acaba de iniciar?

 Em primeiro lugar gostaria de agradecer o vosso convite para responder às questões relativas ao Conselho Geral do Agrupamento. Aproveito, também, esta oportunidade, para parabenizar a Associação de Pais pela qualidade das Newsletters publicadas até ao momento a que tive acesso por ser mãe e encarregada de educação de um aluno da Escola Sampaio Garrido. Quero esclarecer que estas respostas são de índole pessoal, não tendo havido qualquer discussão/reflexão no Conselho Geral sobre as mesmas.

Os assuntos tratados em Conselho Geral são os que decorrem da lei: análise do plano de atividade; análise de alterações ao regulamento interno e ao projeto educativo; tomada de conhecimento e aprovação do relatório de contas de gerência; análise das candidaturas a Diretor do Agrupamento, entre outros.

2)    Enquanto Presidente do Conselho Geral do Agrupamento de Escolas Nuno Gonçalves, está numa posição privilegiada para perceber as características da população escolar, bem como os principais desafios que a escola pública enfrenta. Quais são os problemas cuja resolução considera merecer maior urgência?

Relativamente aos temas aqui questionados (características da população escolar e principais desafios que a escola pública enfrenta) não considero que a minha função como Presidente do Conselho Geral me confira uma posição privilegiada para ser mais conhecedora sobre as mesmas. O meu conhecimento sobre estas temáticas é consequência da minha sensibilidade, curiosidade e estudo sobre estes assuntos, pelo facto de ter filhos que frequentam este Agrupamento e por ser professora neste Agrupamento durante 9 anos.

Existem, neste momento, alguns problemas na escola pública. Um deles está relacionado com a Escola Inclusiva. Concordo com a ideia: a escola deve ser para todos e com todos. Mas para que esta ideia se torne realidade, não é suficiente que apenas se legisle. É necessário munir as Escolas de condições para que de facto a Inclusão aconteça e que haja equidade no acesso aos diferentes conhecimentos. 

É necessário que as pessoas que frequentam uma escola e as que lá trabalham vejam o seu trabalho valorizado e reconhecido, que tenham ritmos de trabalho adequados e ajustados à suas vidas. Como sabemos, isto não se verifica. Temos crianças, no 1º ciclo, que passam 10 horas na escola (para permitir que os seus pais trabalhem muitas horas), temos professores que estão a dar aulas, a ter reuniões e a classificar provas nacionais, temos funcionários que deixaram de “ser funcionários da escola” e passaram a ser camarários e por isso mesmo, a qualquer momento podem sair do local onde sempre trabalharam para ir para outro local onde estejam a fazer falta (de acordo com os critérios das Câmaras Municipais) e temos pais de crianças de 6/7 anos que têm de encontrar uma alternativa ao encerramento de uma escola do 1º ciclo da parte da manhã porque os meninos de 7 / 8 anos  estão a realizar provas nacionais.

Um outro problema, que também me inquieta, está relacionado com os currículos, com aquilo que se ensina, às nossas crianças e jovens e com o que se exige aos nossos alunos neste momento. 

3)      O Projeto Educativo do Agrupamento elege como sua missão “contribuir para que a replicação da ordem social e cultural […] se esbata”, de forma a que “a Escola não ratifique, nem reproduza as desigualdades, como espelho da sociedade”. As escolas deste Agrupamento destacam-se pelo facto de os seus alunos serem provenientes de diferentes contextos geográficos, linguísticos, culturais e socioeconómicos. Considera que estão reunidas as condições para que essas diferenças não determinem à partida o percurso escolar de cada aluno?

 Começo por dizer que me revejo na missão anteriormente enunciada. Para mim, nascida no ano da revolução, foi a escola de Abril que me abriu as possibilidades de aceder a níveis de ensino a que os meus pais e avós não tinham conseguido. Receio que hoje nos encontramos mais longe dessa escola (a que eu tive acesso).

Relativamente aos alunos que frequentam o nosso Agrupamento e que não nasceram em Portugal ou que tendo nascido em Portugal, os seus pais nasceram no estrangeiro, há ainda um longo caminho a fazer-se. Este é um exemplo de como a Escola Inclusiva não funciona, pois considera-se que uma criança ou jovem que não domina a língua portuguesa, deve ser integrada numa turma e ter todas as disciplinas que os colegas têm. Por exemplo, chega um aluno de 16 anos do Nepal. Pela sua idade é matriculado numa turma de 11º ano. Esse aluno irá frequentar aulas de PLNM (português para alunos cuja língua materna não é o português), Educação Física, Inglês, Filosofia. Matemática, Biologia-Geologia e Físico-Química. Passados 9 meses esse aluno terá de realizar 2 exames nacionais (Biologia-Geologia e Físico-Química) escritos em Português. Facilmente se percebe que esta integração não irá funcionar … esta inclusão não é real.

4)      Se olharmos para a trajetória de um aluno desde o 1º até ao 12º ano, quais são, na sua opinião, os principais desafios que este irá encontrar? Que conselhos pode dar aos encarregados de educação?

O primeiro desafio é logo o 1º ciclo. Com 3 filhos a frequentar o 1º ciclo na escola Sampaio Garrido tive realidades diferentes. Num dos casos “fui obrigada” a ir procurar respostas no ensino privado, pois aquela que o Agrupamento me oferecia não tinha a qualidade que procurava. Considero que o 1º ciclo é essencial para a formação dos nossos alunos: gosto por aprender; saber investigar; adquirir os conhecimentos que são as bases para conhecimentos futuros; aprender a estar na escola, tratando com respeito todos os elementos que a frequentam; conhecer e saber usar diferentes métodos de trabalho (entre outros).

Outro desafio é a passagem para o 2º ciclo: passam a frequentar uma escola maior, com mais alunos (em vez de 9 turmas passam para 24 turmas) e com professores diferentes. É um momento em que é preciso fazer uma grande adaptação … para os alunos e para os seus pais e encarregados de educação. A relação próxima que existe entre Encarregado de Educação e Professor do 1º Ciclo deixa de existir. Passa a ser mais “formal” o contacto do EE com o Diretor de Turma que respondendo por um conjunto de professores nem sempre possui o conhecimento de todas as situações ocorridas com os alunos.

A frequência do ensino secundário é, também um momento desafiante porque as classificações passam a ter um peso que até aqui não tinham, E todos os momentos de avaliação que os nossos jovens realizam, toda a participação que fazem (ou não fazem) passam “contar para a nota” que vai ser importante para o cálculo da média que precisa para entrar no curso que quer.

5)    Dois anos de pandemia, com outros tantos períodos de confinamento, obrigação de uso de máscaras e distanciamento social, frequentes interrupções causadas por doença ou isolamento profilático, afetaram significativamente as condições de ensino. No seu entender, há aspetos fundamentais da aprendizagem que se viram comprometidos ao longo deste período? Caso haja, que estratégias podem ser adotadas para fazer frente a essa situação?

Ao analisar o último relatório publicado pelo Instituto de Avaliação Educativa (IAVE) que apresenta uma comparação dos resultados obtidos pelos alunos nas 2 últimas provas de aferição a Português e Matemática nos 2º (2019 e 2021) , 5º e 8º (2018 e 2021) anos de escolaridade, verifica-se uma descida generalizada nas percentagens de sucesso dos desempenhos dos alunos. Acredito que esta variação negativa é consequência das condições em que as aulas decorreram nestes 3 últimos anos (2 de confinamento e este último marcado por interrupções devido a isolamentos e / ou doenças). Foi dada a oportunidade às escolas selecionaram medidas para a promoção do sucesso escolar – Plano 21/23, para os anos letivos 2021/2022 e 2022/2023. Ainda não é possível avaliar a aplicação dessas medidas. Como professora, durante o presente ano letivo, senti que o tempo disponível para as aulas foi insuficiente para abordar os novos conteúdos e simultaneamente fazer a consolidação dos conteúdos abordados nos anos anteriores (e que são necessários para realizar as novas aprendizagens). Temos crianças que “passaram” os 2 anos do 2º ciclo (5º e 6º anos) em casa, crianças que tiveram a introdução à leitura/escrita à distância; crianças e adolescentes que ficaram privados de contactar com os seus colegas e amigos de modo presencial. Sinto que, apesar do esforço brutal que foi feito por todos: pais/encarregados de educação, alunos e professores, o processo de ensino-aprendizagem ficou comprometido, nomeadamente nos hábitos de trabalho que os alunos apresentam, nos períodos (curtos) de concentração nas tarefas escolares, na “dependência” do uso dos telemóveis, na pouca autonomia e pouca resiliência em ultrapassar as dificuldades sentidas (entre outros).

6)    Que papel devem ter os encarregados de educação, individualmente ou através das respetivas associações, no funcionamento das escolas?

O papel dos encarregados de educação é fundamental. Cabe a estes adultos orientarem os seus educandos no processo de ensino-aprendizagem, de modo a que estes consigam ter sucesso escolar e assim conseguirem alcançarem os seus objetivos para a vida, sendo cidadãos com capacidade interventiva e espírito crítico que será possível estando na posse do conhecimento de diferentes áreas assim como no desenvolvimento de diferentes competências.

Na minha perspetiva, é importante a participação dos pais e encarregados de educação nas respetivas associações porque estas são espaços de discussão entre pessoas que têm um interesse em comum: a construção de uma escola melhor.  E assim, estas associações podem, junto das coordenações/direções escolares, propor sugestões para tornar as escolas melhores espaços de aprendizagem.  

 7) Tem estado em discussão no Conselho Geral um novo Regulamento Interno do Agrupamento. Quais são as principais alterações em relação ao Regulamento anterior e a partir de que momento entrará em vigor?

O Regulamento Interno está a ser revisto pelo Conselho Pedagógico que irá elaborar uma proposta. Em breve irá ser analisada e votado pelo Conselho Geral. Ainda não tenho conhecimento do documento e por isso não consigo responder ao questionado.

Em jeito de balanço

Agora que o ano letivo chegou ao fim, é tempo de fazer um balanço.

A APEE Sampaio Garrido procurou, desde a eleição dos atuais órgãos sociais, em novembro de 2021, estabelecer um diálogo e uma relação de trabalho produtiva com as diversas entidades que influenciam a vida escolar. Com todas estas entidades pretendemos obter informações que consideramos úteis e relevantes para os encarregados de educação, alertar para problemas e situações que desejávamos ultrapassar, propondo soluções práticas e, sempre que possível, criativas. Comprometemo-nos a tornar públicas essas informações, através desta Newsletter, da nossa página web, por via dos representantes de turma e através da realização de uma assembleia extraordinária na escola, o que, para muitos de nós, constituiu a primeira oportunidade de visita às instalações da Sampaio Garrido…

Começamos por reunir com o Coordenador da Escola Básica Sampaio Garrido, o Professor Pedro Domingues, logo em dezembro, para trocar ideias e partilhar informações. Também em dezembro, reunimos com o novo executivo da Junta de Freguesia de Arroios, entidade responsável pelas Atividades Extracurriculares (AEC’S) e pela Componente de Apoio à Família/Atividades de Apoio à Família (CAF/AAF). Em janeiro foi a vez de reunir com a coordenadora do Agrupamento de Escolas Nuno Gonçalves, a Professora Isabel Dionísio, bem como com a coordenadora das AEC’s/CAF, a Professora Mercês Dias, do Lisboa Ginásio Clube (entidade em quem a Junta de Freguesia de Arroios delegou essa competência). Já em abril, reunimos com a Associação de Pais e Encarregados de Educação da Escola nº1, pertencente ao mesmo Agrupamento Escolar, com quem mantemos desde então uma relação de cooperação.

Mas é claro que a nossa atividade não se resumiu às reuniões. Dinamizámos, em conjunto com os professores da escola e os monitores do CAF, a montagem de uma árvore do solstício de inverno, feita com garrafas recolhidas e decoradas pelos alunos, contendo lá dentro os seus desejos e aspirações para a escola. A montagem da árvore – que permaneceu na Praça das Novas Nações durante um mês, iluminando-a durante a noite e colorindo-a durante o dia – foi um processo colaborativo que contou com a participação de muitas crianças, encarregados de educação e também professores. Assinalámos o início da primavera com uma chuva de estrelas pintada no chão da praça, trouxemos o Coro da Achada para cantar connosco o 25 de abril, oferecemos sementeiras de cravos à escola…

Ao longo dos meses seguintes houve mais oportunidades de encontro e brincadeira na Praça das Novas Nações, o lugar que as crianças tornam seu a cada dia e onde recentemente montaram uma incrível exposição sobre um trabalho de investigação etnográfica que levaram a cabo no bairro. Tornar a praça um local mais aprazível para as crianças e respetivas famílias é um dos nossos principais objetivos e, apesar de tudo o que já foi feito, continua a ser um dos principais desafios com que nos confrontamos. É urgente que as crianças tenham a oportunidade de brincar em segurança e condições de salubridade nas imediações da escola.

A importância desses momentos de brincadeira em comum tornou-se ainda mais evidente quando, nos dias 15 e 20 de junho, aquando da interrupção das atividades letivas do 1º, 3º e 4º ano devido à realização das provas de aferição, a APEE Sampaio Garrido organizou, em conjunto o Espaço Brincapé e da Associação Regador (Penha de França), duas “Manhãs de brincadeira”, na qual dezenas de crianças tiveram a oportunidade de se divertir e aprender ao ar live, em contacto com diversos materiais lúdicos e espécies vegetais.

Reunião APEE Sampaio Garrido com Direção do Agrupamento de Escolas Nuno Gonçalves

Realizou-se no passado dia 13 de maio, pelas 18h00, uma reunião na Escola Básica Nuno Gonçalves.

Na reunião, solicitada pela APEE à Direção do Agrupamento de Escolas Nuno Gonçalves, estiveram presentes a Dra. Isabel Dionísio, Diretora do Agrupamento; a Dra. Cristina Pereira, Coordenadora do Agrupamento para o 1º Ciclo; o Professor Pedro Domingues, Coordenador da EB Sampaio Garrido; diversos membros da APEE e ainda alguns dos representantes de turma da referida escola.

PROVAS DE AFERIÇÃO

A APEE começou por apelar à Direção do Agrupamento que encontrasse uma solução universal e gratuita para as crianças dos primeiros, terceiros e quartos anos, nas quatro manhãs não letivas impostas pelo calendário escolar por ocasião da realização das provas de aferição realizadas aos segundos anos. Afirmou que a solução que tem vindo a ser aplicada (atividades no Lisboa Ginásio Clube) não parece universal (tendo sido discutida a necessidade de aferir quantas crianças não usufruíram das manhãs em Maio por falta de vagas) nem é gratuita, o que condiciona a utilização desta solução por uma franja significativa da comunidade escolar, nomeadamente os alunos que usufruem de Ação Social Escolar. Em contrapartida, a APEE apresentou cinco propostas muito distintas:

1) a reconfiguração do espaço físico excedentário da escola;

2) a gratuitidade das atividades do Lisboa Ginásio Clube;

3) a realização de passeios com supervisão docentes, auxiliares, monitores e/ou pais;

4) a utilização de outros espaços na escola ou noutras escolas do agrupamento;

5) a utilização de espaços da Junta de Freguesia de Arroios.

A Direção do Agrupamento explicou que não existem docentes e auxiliares suficientes para supervisionar as crianças durante os períodos não letivos, dado que a prova de aferição exige a participação de todos os docentes e auxiliares da EB Sampaio Garrido, e que não é possível recorrer aos docentes e auxiliares das escolas Nuno Gonçalves e Luísa de Gusmão. O Agrupamento entende que a gestão e coordenação das atividades letivas em paralelo e durante o período das provas não está dentro das suas competências, devendo ser encontrada uma solução a partir de recursos externos (humanos e físicos).

Foi esclarecido pela direção do agrupamento que a solução encontrada para a EB Sampaio Garrido (e para as restantes quatro escolas do agrupamento) foi sugestão do LGC, valorizado pela vantagem de dispor de monitores para acompanhar as crianças. Foi também mencionado que a Junta de Freguesia de São Vicente assegurou uma solução para as crianças da escola básica Natália Correia, ao contrário do que aconteceu com a Junta de Freguesia de Arroios.

Desta forma, concluiu-se que a Junta de Freguesia de Arroios, enquanto entidade promotora dos serviços educativos (AAAF e CAF) da EB Sampaio Garrido realizadas pelo LGC (sob um protocolo ainda não disponibilizado à APEE), deveria assegurar uma solução para as mencionadas quatro manhãs não letivas. A APEE comprometeu-se em contactar a Junta de Freguesia de Arroios, com o apoio da Direção do Agrupamento, solicitando apoio financeiro para este efeito, de forma que nenhuma criança fique excluída por razões financeiras.

REFEITÓRIO

A Direção do Agrupamento começou por explicar que tomou conhecimento de um incidente ocorrido no refeitório da escola, envolvendo alunos do 2º ano. Segundo as informações disponíveis, a monitora do CAF contratada pela Gertal (empresa a quem a Câmara Municipal de Lisboa concessionou a gestão dos refeitórios escolares) para prestar apoio durante as horas de almoço teria colocado algumas crianças de castigo, ordenando-lhes que ficassem deitadas no chão, por vezes com a cara virada para baixo. Esta situação chegou ao conhecimento de alguns encarregados de educação, que a reportaram ao coordenador da escola. Após confirmar o ocorrido, o coordenador comunicou o assunto à Direção do Agrupamento, tendo sido tomada a opção de recomendar à Gertal e ao Lisboa Ginásio Clube o afastamento da funcionária em questão. Adicionalmente, por iniciativa do Coordenador da Escola, foram alteradas algumas normas de funcionamento do refeitório, nomeadamente a regra que obrigava as crianças a permanecer na cantina depois de terem terminado a refeição, passando agora a serem diretamente encaminhadas para o recreio. Foi ainda indicado aos funcionários do refeitório que não poderiam castigar nenhum aluno e apenas deveriam reportar eventuais situações de incumprimento aos professores titulares de turma.

A direção do Agrupamento concluiu por isso que o problema foi resolvido de forma adequada.

Os representantes da APEE partilharam as suas preocupações com o funcionamento do refeitório, mas também com as condições de recrutamento e trabalho dos professores das AEC’s e monitores do CAF (os mesmos que, por óbvia conveniência, são contratados pela Gertal). Foi sublinhado o facto de estes castigos não terem ocorrido pontualmente, nem se terem limitado à turma na qual a queixa teve origem (pudemos comprovar que aconteceu com certeza nos 1º, 2º e 3º anos). Das conversas com algumas das crianças resultou a perceção de que estas teriam interiorizado que essa (bem como a cadeira do castigo) seria a prática instituída para lidar com o excesso de ruído ou qualquer outro comportamento considerado incorreto dentro do refeitório.

Foi igualmente sublinhado que já ocorreram situações semelhantes no passado, tanto no refeitório como nas atividades das AEC’s e CAF (dos quais alguns exemplos foram dados), que apontam para problemas de ordem estrutural, relacionados com a formação, apoio e supervisão dos profissionais contratados. Os representantes da APEE solicitaram por isso a implementação de medidas de fundo, que identifiquem a natureza dos problemas e contribuam para a sua resolução, não apenas no imediato, mas a longo prazo.

A direção do Agrupamento revelou-se surpreendida ao saber que a situação não tinha sido pontual nem limitada a uma turma específica, manifestando o seu empenho em garantir que a escola ofereça aos alunos condições adequadas de aprendizagem, convívio e desenvolvimento durante todo o período do seu funcionamento, entre as 08h00 e as 19h00, independentemente das pessoas ou entidades incumbidas de os acompanhar. Ficou por isso decidido que as atividades e períodos que decorrem fora das salas de aulas serão objeto de uma supervisão relativa quer aos períodos do refeitório escolar, quer relativamente às AECS e AAFs, supervisão esta assegurada pelos professores titulares, articulada com o coordenador da escola no sentido de garantir a adequação das práticas pedagógicas implementadas. A direção do Agrupamento sublinhou em todo o caso que não tem qualquer responsabilidades pela contração de professores/monitores das AEC’s e do CAF, uma vez que essa competência está a cargo da Junta de Freguesia de Arroios e do LGC.

A Diretora do Agrupamento manifestou-se igualmente empenhada em acompanhar mais de perto o funcionamento do refeitório. Para esse efeito, irá solicitar junto de auxiliares e docentes que sempre que possam, mesmo que  de passagem, passem pelo refeitório para verificar as condições em que estão a decorrer os almoços. A direção do agrupamento comprometeu-se a, em casos semelhantes e sempre que não haja qualquer incompatibilidade com o regulamento geral de proteção de dados, comunicar direta e atempadamente a todos os Encarregados de Educação em quaisquer situações desta natureza.

Outros assuntos

A direção da APEE reafirmou a sua vontade de acompanhar mais de perto o planeamento das AEC’s e do CAF, bem como as condições de recrutamento dos monitores e professores, disponibilizando-se para ajudar a ampliar a divulgação dos respetivos processos, a começar pela pessoa que virá substituir a monitora agora afastada.

Foi também referido pela APEE a necessidade de se clarificar os procedimentos relativos à comunicação de informações oficiais e/ou úteis à comunidade escolar, para evitar mal-entendidos ou falhas na comunicação entre as partes, respeitando sempre a hierarquia existente:

1) Direção do Agrupamento (na pessoa da Diretora do Agrupamento ou da Coordenadora do 1º Ciclo)

2) Coordenador da Escola Sampaio Garrido;

3) Professores Titulares;

4) Encarregados de Educação (para questões oficiais, incluindo toda e qualquer alteração relativamente à alteração orgânica dos professores/monitores responsáveis das AEC´s e AAFs) / APEE (para questões de escola) / representantes de turmas (para questões de turma).

A APEE faz um balanço positivo da reunião, na qual também os representantes de algumas turmas levantaram à direção questões mais específicas, das quais poderão dar conta nos canais próprios.

Reunião com a APEE da Escola Básica nº1 de Lisboa

Membros das direções das associações de pais e encarregados de educação da Escola Básica nº1 e da Escola Básica Sampaio Garrido, ambas pertencentes ao Agrupamento de Escolas Nuno Gonçalves, reuniram no dia 23 de maio de 2022, para debater alguns temas de interesse comum e partilhar preocupações e projetos em cursos.

Após uma breve descrição das duas escolas, bem como dos principais problemas e desafios que cada uma enfrenta, foram identificados dois temas relativamente aos quais se revela oportuno estabelecer uma relação de cooperação no futuro imediato.

1) (In)sucesso escolar e recuperação das aprendizagens

Durante a pandemia houve dois períodos de confinamento, aos quais se somaram vários momentos em que as crianças não tiveram aulas, ora por estarem em isolamento profilático ora por não haver professores disponíveis. Adicionalmente algumas turmas de 1º ciclo têm experienciado alguma rotatividade de professores titulares ao longo de um mesmo ano letivo ou no percurso dos 4 anos do ciclo de estudos, o que não é promotor da desejável estabilidade e continuidade pedagógica.

Tudo isso foi extremamente penalizador para as crianças, particularmente para as oriundas de agregados familiares com menor disponibilidade para reforçar as aprendizagens fora do contexto escolar. Existe por isso a necessidade de recuperar o tempo perdido ao nível da aprendizagem, sinalizando os alunos com carências, acionando os apoios educativos necessários e enquadrando estas ações nos programas previstos ao nível da tutela, como o plano de recuperação das aprendizagens (Plano 21|23 Escola+). As duas APEE irão trabalhar num documento conjunto, a enviar às coordenações das escolas e do Agrupamento, com as nossas preocupações sobre este tema, solicitando informações sobre o que está a ser planeado e que recursos podem ser mobilizados para fazer face a este problema, no sentido de promover o sucesso escolar e evitar as retenções.

2) Provas de aferição

A suspensão das aulas durante a realização das provas de aferição do 2º ano veio confrontar os encarregados de educação com a necessidade de encontrar uma solução alternativa para ocupar as crianças. A APEE Sampaio Garrido já apelou à direção do Agrupamento que encontrasse uma solução universal e gratuita para as crianças dos primeiros, terceiros e quartos anos, tendo sido informada de que isso não seria possível com os recursos disponíveis. Estamos por isso a proceder a contactos com entidades como o Lisboa Ginásio Clube e outras, no sentido de se organizarem nos dias 15 e 20 de junho atividades de carácter lúdico e/ou desportivo durante a manhã, bem como com a Junta de Freguesia de Arroios, para que suporte o respetivo custo (que envolve um seguro e a remuneração dos monitores encarregues de acompanhar as crianças e levá-las à escola à hora do almoço). A APEE da Escola Básica nº 1 irá igualmente contactar entidades situadas nas imediações da escola, para além de se associar ao apelo a que a Junta de Freguesia de Arroios suporte o custo das atividades. Proporemos também que atividades deste âmbito fiquem inscritas nos protocolos que a Junta de Freguesia de Arroios tem celebrado anualmente com as entidades que asseguram as atividades de CAF, por serem uma resposta social devida, já que ocorrem em tempos em que não há atividades letivas dentro do calendário escolar.

Coro da Achada na Sampaio Garrido

Na passada sexta-feira, dia 22 de abril, o Coro da Achada esteve na Sampaio Garrido a convite da APEE para celebrar Abril e cantar canções de luta e de liberdade. Este coro, formado em 2009 e que conta hoje com mais de 50 participantes, quer contribuir para a transformação do mundo através da música. O seu repertório incluiu canções já existentes, de várias épocas e partes do mundo, na língua original ou traduzidas, mas também originais, criadas pelo coro ou oferecidas. Em ambos os casos as canções (políticas, populares e de cantautores) falam sobre acontecimentos marcantes e movimentos sociais, relacionadas aos direitos das crianças, das mulheres, e dos trabalhadores, à imigração, ao consumo, à vivência das cidades, à habitação ou à ecologia. Esta celebração teve lugar no pátio de entrada da Sampaio Garrido e só foi possível com uma providencial suspensão temporária da chuva que tão teimosamente caiu durante todo o dia. Queremos agradecer ao Coro da Achada pelos momentos inesquecíveis que proporcionaram aos alunos, professores, auxiliares e famílias que estiveram presentes e que trautearam em conjunto! As músicas escolhidas e cantadas pelo coro foram:
 
Liberdade, poema de Bocage, música: PR/ coro da Achada (2017)
 
Mininu abre si boka inocenti, título original «Mininu Putam» (1974)
de José Carlos Schwarz, músico, escritor e poeta guineense 
 
Coro da primavera, letra e música: José Afonso, canção incluída no disco Cantigas do Maio (1971)
 
Tanto mar, letra e música de Chico Buarque. Letra original, vetada pela censura; gravação editada em Portugal (1975)
 
Cabum! Cânone inglês séc. XVI (com nova letra inventada)
 
Podem consultar estas e outras canções cantadas pelo coro aqui. O coro ensaia todas as quartas-feiras às 21h, na Casa da Achada – Centro Mário Dionísio. É um coro aberto, todos podem aparecer e cantar!

Visitem um museu

Existem muitos museus que são gratuitos aos DOMINGOS E FERIADOS. Nesta lista podem encontrar os mesmos e alinhar passeios incríveis e gratuitos durante todo o ano com a família. Encontram ainda outros museus com entradas gratuitas em ALGUNS HORÁRIOS OU DIAS ESPECÍFICOS da semana. Boas visitas!

Museus com entradas gratuitas aos domingos e feriados

* Palácio Nacional da Ajuda
Palácio Nacional da Ajuda, Lg. da Ajuda – 1349-021 Lisboa
+ info: Palácio Nacional da Ajuda

* Mosteiro dos Jerónimos
Praça do Império 1400-206 Lisboa
+ info: Mosteiro dos Jerónimos

* Torre de Belém
Torre de Belém 1400-206 Lisboa
+ info: Torre de Belém

* Panteão Nacional
Campo de Santa Clara 1100-471 Lisboa
+ info: Panteão Nacional

* Museu Nacional dos Coches
Avenida da Índia nº 136, 1300-300 Lisboa
+ info: Museu dos Coches 

* Museu Nacional do Traje
Largo Júlio de Castilho – Lumiar 1600-483 Lisboa
+ info: Museu Nacional do Traje

* Museu Nacional do Teatro e da Dança
Estrada do Lumiar, 10 1600-495 Lisboa
+ info: Museu Nacional do Teatro e da Dança

* Museu Nacional da Etnologia
Avenida da Ilha da Madeira 1400-203 Lisboa
+ info: Museu Nacional da Etnologia

* Museu Nacional de Arte Antiga
Rua das Janelas Verdes 1249-017 Lisboa
+ info: Museu Nacional de Arte Antiga

* Museu Nacional de Arqueologia
Edifício dos Jerónimos, Praça do Império 1400-206 Lisboa
+ info: Museu Nacional de Arqueologia

* MNAC – Museu do Chiado
Rua Serpa Pinto, 4 – 1200-444 Lisboa
+ info: Museu do Chiado

* Museu de Arte Popular
Avenida de Brasília. 1400-038 Lisboa
+ info: Museu de Arte Popular

* Museu Nacional do AzulejoRua Madre de Deus, 4 – 1900-312 Lisboa+ info: Museu Nacional do Azulejo

* Casa-Museu Dr. Anastácio GonçalvesAvenida 5 de Outubro, 6-8 1050-055 Lisboa+ info: Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves

Museus com entrada gratuita em alguns horários ou dias específicos da semana

* MAAT (no 1º domingo de cada mês)
Av. Brasília, Central Tejo 1300-598 Lisboa
+ info: MAAT Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia

* Museu da Marinha (no 1º domingo de cada mês)
Praça do Império,Belém  1400-206 Lisboa
+ info: Museu da Marinha

* Museu do Dinheiro (durante todo o ano)
Antiga Igreja de S. Julião, Largo de S. Julião, 1100-150 Lisboa
+ info: Museu do Dinheiro

* Museu Calouste Gulbenkian (todos os domingos, a partir das 14h)
Av. de Berna, 45A, 1067-001 Lisboa
+ info: Fundação Calouste Gulbenkian

* Museu da Marioneta (todos os domingos de manhã)
Convento das Bernardas – Rua da Esperança, n° 146, 1200-660 Lisboa
+ info: Museu da Marioneta

* Museu Coleção Berardo (aos sábados, durante todo o dia)
Praça do Império, 1449-003 Lisboa
+ info: Museu Coleção Berardo

* Museu do Oriente (à sexta-feira, das 18h às 22h)Av. Brasília, Doca de Alcântara (Norte), Lisboa – A entrada do Museu localiza-se na Av.24 de Julho.+ info: Museu do Oriente

As conquistas de Abril e as crianças: resiliência, adversidade e pobreza no desenvolvimento e saúde mental

Bruno Raposo Ferreira1

Ao receber, na passada quarta-feira, palavras de incentivo da APEE para escrever alguns parágrafos sobre o desenvolvimento das crianças, com a lembrança que a newsletter teria o seu foco de atenção no 25 de Abril, não pude deixar de constatar a coincidência de justamente nesse dia ter revisto, com os alunos do Mestrado de Psicologia e Psicopatologia do Desenvolvimento, mais de 50 anos de investigação sobre resiliência, adversidade e pobreza e o seu impacto no delineamento de trajetórias de desenvolvimento sócio-emocional, ajustamento e saúde mental. Induzido por esta coincidência e pela frescura da celebração 25 de Abril, pareceu-me útil partilhar neste fórum ideias que procurarei ligar à particularidade de algumas conquistas de Abril e a outras que, na senda de Abril, cabem à nossa geração realizar.

1) Se os modelos clássicos de psicopatologia davam a ideia de que a resiliência era uma característica dos indivíduos, as últimas quatro décadas de psicopatodologia do desenvolvimento, valendo-se de estudos longitudinais focados na complexidade multideterministica do desenvolvimento das pessoas na vida real (tendo em conta o tempo e o contexto), revelam bem outro panorama. O que a evidência acumulada sugere muito claramente é que a maturação de estruturas, capacidades e competências em diversos domínios do desenvolvimento (ex.: neurológicas, psicomotoras, emocionais, cognitivas, personalidade, socialização, etc.), deve-se mais ao balanço entre experiências adversas e favoráveis a que as pessoas estão sujeitas no decurso da sua vida (de acordo com o grau de maturação evolutiva), e aos períodos do desenvolvimento em que ocorrem as adversidades ou vulnerabilidade. Assim, à luz da evidência empírica surge claro que os fenómenos caracterizados como resilientes em nada se ficam a dever a uma característica individual misteriosa (qual poção mágica) ou a uma eventual vigorosa vontade subjetiva e empreendedora, responsável pela “invulnerabilidade” e super-capacidade para a resolução de todos os males.


É certo que os resultados positivos de ajustamento face à adversidade, isto é resilientes, resultam em benefícios para os indivíduos, mas esses resultados de ajustamento social (avaliados maioritariamente com medidas gerais e globais de sucesso académico, popularidade na rede de pares, estatuto sócio-económico, medidas gerais de bem-estar, etc.) são mais explicados pela interação entre idade, intensidade, durabilidade e proximidade (efeitos diretos ou indiretos) dos fatores de risco e fatores protetores face ao individuo, do que por qualquer característica essencial dos indivíduos. As características individuais dos sujeitos (genéticas, neurológicas fisiológicas, comportamentais, emocionais e cognitivas, etc.) e a suscetibilidade para determinados resultados são profundamente mediadas pelo encaixe dinâmico nas características dos seus contextos relacionais mais próximos e distais, bem como pela ecologia social e cultural em que se inscrevem que, em conjunto, determina por um lado as experiências e, por outro, o modo como são individual ou coletivamente subjetivadas.

Por esse motivo, a visão da comunidade científica sobre o conceito de resiliência mudou significativamente, sendo hoje em dia bastante aceite que é a tipologia dos processos desenvolvimentais, as ecologias e os contextos relacionais dos indivíduos que probabilisticamente favorecem, ou não, as trajetórias de desenvolvimento que conduzem a resultados mais ou menos resilientes face às adversidades vivenciadas.

2) O efeito da pobreza nas trajetórias desenvolvimentais dos indivíduos, quando estudada na sua complexidade, vai muito para além do que é evidenciado pelos estudos que se limitam a caracterizar a pobreza como uma variável sócio-demográfica (ex: estatuto sócio-económico). A pobreza como fenómeno extenso e complexo, social, familiar e individual envolve um amplo conjunto de fatores e domínios que estão associados cumulativamente à experiência de ecologias frágeis, com acesso limitado a recursos de segurança e proteção, saúde, educação e cultura; a contextos relacionais frequentemente adversos com elevados índices de desafios e instabilidade, onde a indisponibilidade psicológica e afetiva, o stress nocivo, a rutura de redes de suporte social e, por vezes, a violência, são comuns.

As situações de pobreza duradoura são caracterizadas por um desequilíbrio muito marcado entre a presença mais elevada de fatores de risco e mais reduzida de fatores protetores. Nestas ecologias e contextos relacionais, os processos desenvolvimentais estão muitas vezes sujeitos à presença de múltiplos factores de risco e a experiências desfavoráveis ou pouco favoráveis, com efeitos cumulativos em múltiplos níveis: orgânicos, comportamentais, emocionais, cognitivos, relacionais e sociais da ecologia dos indivíduos.

Estes efeitos têm tendência para escalar entre si. Quando as situações de vulnerabilidade como a pobreza são duradouras e intensas, tendem a estar fortemente associadas ao desenvolvimento de stress familiar, que pode estar associada a baixa disponibilidade psicológica e qualidade afetiva das relações parentais (ex: os cuidadores têm que manter vários trabalhos tendencialmente precários e atividades instáveis como fonte de rendimento, muitas vezes baixos; é frequente conflito relacional no casal e degradação da comunicação no sistema de relações familiar, etc.), que por sua vez se relaciona com a adoção de estratégias parentais mais coercivas ou indulgentes, podendo nas situações mais graves gerar fenómenos de negligência e maus-tratos. Por sua vez, a presença destes fatores de risco no contexto familiar está associada à emergência de sintomas e problemas internalizados (ex: ansiedade, depressão) e/ou externalizados (ex: agitação, problemas de conduta e de oposição) nas crianças, que se associam, no curso do seu desenvolvimento, a dificuldades de integração nas relações com os pares ou ao baixo rendimento escolar. Estes por sua vez associam-se também à emergência de problemas de ansiedade e depressão ou a comportamentos de risco, condutas delinquentes, consumos de substâncias, precocidade de condutas sexuais e gravidez na adolescência, entre outros, problemas sociais e de saúde.

Ainda que probabilisticos e dependentes de efeitos “compensadores” de experiências favoráveis e fatores protetores, a interação em escalada dos fatores que caracterizam a complexidade fenomenológica que das situações de pobreza, tende a atingir diversos domínios do desenvolvimento individual e diversas áreas do funcionamento das famílias, influenciando quer o acesso a diferentes estruturas e recursos formais das comunidades, quer a cultura e dinâmicas relacionais na vizinhança e comunidade mais alargada, canalizando trajetórias de vida que em parte tendem a perpetuar-se entre gerações.

3) Que a qualidade afetiva das relações familiares, por um lado, e o amplo impacto das funções da parentalidade (cuidados físicos e psicológicos de saúde, proteção e segurança, educação e estimulação, suporte e apoio à socialização e redes de suporte formal e informal da comunidade, estimulação e promoção, pela fruição e criação, da participação nas culturas, etc.), por outro, são fatores cuja função reguladora face às experiências favoráveis ou adversas é central, saliente e preponderante nos anos que caracterizam as primeiras fases de vidas dos indivíduos (primeira, segunda infância e adolescência). A qualidade e o efeito positivo do contexto familiar é mediada pela maior ou menor presença e durabilidade de fatores de risco e stressores, como o acesso a recursos de saúde, educação, proteção social, apoio à gravidez e à parentalidade durante as idades de desenvolvimento dos filhos. Mas também o desemprego, a precariedade, os baixos salários, a mobilidade laboral e a desregulação dos horários e dias de trabalho, são fonte de stress e de redução da disponibilidade efetiva dos cuidadores das crianças. A estes aspectos acresce a deterioração das redes informais de suporte social, típicas e naturais das comunidades em vizinhança, fenómeno comum nas sociedades ocidentalizadas, urbanizadas e cosmopolitas.

Torna-se então mais evidente que as conquistas de Abril foram bem mais extensas que aquelas que dizem respeito à liberdade de expressão e associação política. Colocando fim a 48 anos de regime fascista, um tempo de obscurantismo, opressão e esmagamento da liberdade, o 25 de Abril pôs fim à marginalização dos trabalhadores e do povo da vida política, e por essa via à subordinação do país e do povo aos interesses de uma minoria de grandes monopolistas e latifundiários, aliados do grande capital e do imperialismo. É com o papel ativo do povo que novas escolhas e políticas foram e são possíveis e que se perspetivaram os caminhos do desenvolvimento do país e a construção de uma sociedade livre, mais justa e democrática. Essencialmemte, com a subordinação do poder económico ao poder político democrático, assente na propriedade social dos sectores básicos e estratégicos da economia, com o Estado a ter o papel essencial na dinamização do desenvolvimento económico, com o investimento público que defendeu e promoveu a produção nacional, garantindo os direitos dos trabalhadores e das famílias, no direito ao trabalho e à sua justa remuneração, em dignas condições de vida, rede de saneamento e transportes públicas, à valorização de outros serviços públicos e funções sociais do Estado, particularmente na Educação e na Saúde e uma Segurança Social pública e universal, etc., a revolução de Abril representou um passo de gigante no que diz respeito à transformação das ecologias e contextos de desenvolvimento.

Estas mudanças tiveram forte impacto na melhoria e reforço dos fatores protetores do desenvolvimento da generalidade das crianças de Portugal. Disso são exemplos a melhoria muito significativa de indicadores como o analfabetismo, a mortalidade infantil, o trabalho infantil, a quase eliminação da fome, a redução dos índices de pobreza, o aumento da escolaridade obrigatória, o aumento de jovens com formação superior, etc.

Talvez por isso devêssemos recordar que as conquistas políticas do 25 de Abril foram também conquista das crianças e jovens de Portugal, uma vez que tiveram um forte impacto à escala nacional, ao efectivar direitos e contribuir para contextos de desenvolvimento mais favoráveis a trajetórias de vida positivas para o conjunto da população.

Não obstante, é importante continuar não só a defender as conquistas de Abril, como a lutar pelas que ainda hoje ameaçam os direitos das crianças e se constituem como fatores desfavoráveis ao seu desenvolvimento e funcionamento das famílias.

Pensamos com particular preocupação nas condições de vida stressoras e desfavoráveis que, fruto de escolhas políticas, afetam muitas famílias e crianças: o desemprego, a precariedade, os baixos salários, a mobilidade e desregulação dos horários e dias de trabalho, que fazem perigar, entre outros, aos tempos de qualidade em família e em comunidade e colocam em risco a capacidade das famílias para o desempenho da parentalidade.

1 Bruno Raposo Ferreira é, para além de pai de uma criança da Sampaio Garrido, Psicólogo Clínico, Psicanalista, Docente de Psicologia e Psicopatologia do Desenvolvimento no Mestrado Integrado de Psicologia e Psicopatologia do Desenvolvimento do ISPA-IU e Investigador do desenvolvimento socioemocional no WJCR | ISPA-IU

Resumo da Assembleia Geral de 1 de Abril 2022

Teve lugar no dia 1 de abril, pelas 17h30, uma Assembleia Geral extraordinária da nossa Associação. Foi a primeira vez que os encarregados de educação da Escola Básica Sampaio Garrido tiveram a oportunidade de reunir presencialmente, dentro das instalações escolares (neste caso, a biblioteca), desde que começou a pandemia. A Assembleia Geral, na qual participaram dezanove (19) associados, foi convocada para tratar de algumas questões de ordem burocrática, relacionadas com os estatutos da associação, com a composição dos órgãos sociais e com a abertura de uma conta bancária, mas também para debater temas relacionados com o funcionamento das AEC’s e do CAF, bem como a comunicação entre a escola e os encarregados de educação.

No que diz respeito ao primeiro assunto, recebemos uma notificação da Procuradoria Geral da República, que nos alertou para o facto de o artº 18º dos nossos estatutos (alterados em novembro) não estar conforme às disposições do Código Civil, uma vez que prevê a convocatória da assembleia geral “por circular”, em vez especificar que esta é expedida “por via postal”. Ainda que esta nos tenha parecido uma interpretação excessivamente rigorosa da legislação, optámos por alterar o artigo em questão, que passou a reproduzir ipsis verbis o que dispõe o Artigo 174º do Código Civil. A alteração foi aprovada por unanimidade.

No que diz respeito ao segundo assunto, foi aprovada uma alteração na composição dos órgãos sociais, tendo a Vera Higino passado a integrar a direção, por troca com a Joana Nóbrega, que passou a integrar o Conselho Fiscal. Esta alteração teve como intuito agilizar o funcionamento administrativo da associação, assegurando a presença na direção de uma pessoa com maior disponibilidade em termos de horário. A alteração foi aprovada por unanimidade.

No que diz respeito ao terceiro assunto, foi-nos solicitado pelo Millenium BCP uma ata de Assembleia Geral que autorizasse explicitamente a direção a abrir uma conta naquele banco. Apesar de nos parecer desnecessário semelhante procedimento, visto que os estatutos da APEE conferem à direção a incumbência de gerir o respetivo património, optámos por colocar à votação uma moção que nos permitisse desbloquear esta situação. A moção foi aprovada por unanimidade.

No que diz respeito ao quarto assunto, foram dadas diversas informações sobre o funcionamento das AEC’s e do CAF. Foi igualmente discutido o facto de, apesar de o mesmo ter sido solicitado à Junta de Freguesia de Arroios e à Direção do Agrupamento de Escolas Nuno Gonçalves, desconhecermos ainda o conteúdo do protocolo celebrado entre estas entidades e o Lisboa Ginásio Clube, relativo à gestão das AEC’s e do CAF. Esperamos que esta situação venha a mudar no futuro imediato.

No que diz respeito ao quinto assunto, foi decidido solicitar à coordenação da Escola Básica Sampaio Garrido a reintrodução da Caderneta do Aluno (suspensa desde o início da pandemia) como instrumento de comunicação entre os professores e os encarregados de educação.

A Assembleia Geral ofereceu ainda a possibilidade de partilhar diversas informações, nomeadamente no que diz respeito às novas regras de acesso ao espaço escolar, resultantes de alterações efetuadas ao Plano de Contingência do Agrupamento Nuno Gonçalves, em conformidade com as orientações da Direção-Geral de Saúde. Segundo o que nos foi comunicado pela Coordenação do Agrupamento, a entrada de encarregados de educação nas instalações da escola poderá acontecer nas seguintes situações:

– no início do ano letivo, com atividades planificadas pelas escolas na receção a pais e alunos;

– com agendamento de reunião com o prof de turma;

– quando se realiza uma atividade em que sejam convidados todos os EE;

– para realizar uma atividade aprovada em PAA, que tenham a participação de um EE;

– sempre que seja solicitada a sua presença na escola para tratar de assuntos urgente referente ao seu educando.

A Assembleia Geral terminou formalmente às 18h45, conforme estava combinado com a coordenação da escola e do agrupamento, tendo os presentes optado por continuar a conversar, sobre diversos temas de interesse da comunidade escolar, no Largo das Novas Nações.

Chuva de Estrelas!

No passado final de dia 25 de março assinalamos o início da primavera com uma chuva de estrelas no chão da Praça das Novas Nações, cumprindo o desejo expresso por uma criança de que “gostava que a escola tivesse mais estrelas”. Pretendemos continuar a ocupar a praça, ali desenvolvendo atividades regulares e informais com as crianças e respetivas famílias. Sugestões são bem vindas e serão por nós apoiadas. Vamos para a praça!

Newsletter APEE março 2022

Newsletter APEE março 2022

Eu gostava que… No fim do ano passado a APEE Sampaio Garrido assinalou o início do inverno instalando uma árvore de Natal na Praça das Novas Nações, assinalando a importância comunitária da praça. Lançámos o desafio às famílias, unimos esforços com os professores e os funcionários da escola, pedimos ajuda aos comerciantes locais e à Junta de Freguesia de Arroios.  A árvore era composta por garrafas pintadas e enfeites especialmente concebidos pelas crianças da escola, e continha várias dezenas de mensagens das famílias, muitas das quais, infelizmente, a bem-vinda chuva limpou. Sobraram, no entanto, ainda muitas e muito importantes mensagens de esperança, que desejavam “que todas as crianças tivessem mais liberdade”, “os professores tivessem mais tempo” ou “as pessoas deste bairro brincassem mais e fossem mais felizes”.  As mensagens traduziram expectativas e desejos comuns como “conhecer o espaço de que tanto ouvimos falar”, “conhecer a escola” ou “que os pais pudessem fazer uma atividade com os seus educandos dentro da escola” (não vemos a hora… a APEE tem sensibilizado os responsáveis da escola nesse sentido), mas também algumas individuais e muito pragmáticas como “eu quero uma bicicleta”.  Expressaram opiniões sobre a “maravilhosa” e “adorada” escola, “a melhor de todas”, “um lugar de aprendizagem, diálogo, respeito e igualdade”; mas também sugestões de eventuais melhorias, nomeadamente “que a comida fosse melhor, que viesse quente e que a sopa não fosse tão líquida”, “mais visitas de estudo, menos omelete” ou “um baloiço na escola”. Trouxeram ainda propostas muito concretas que consideramos poderem servir de base à construção de um plano de ação da APEE, a desenhar em conjunto com a escola, implicando “mais atividades plásticas”, “que volte o RADAR”, “mais desporto na rua”, “voltar a haver um clube de xadrez”, “andar de skate na escola” ou “que se organizasse uma peça de teatro”, entre outras.

Deixaram-nos particularmente entusiasmados as ideias de “um projeto para estudar víboras”, de trazer “dinossauros herbívoros na escola” e de “que a escola tivesse mais estrelas”. Nós também. 
Por isso, a pedido de várias famílias, a partir das 17h do dia 25 de março levamos materiais para a Praça das Novas Nações e vamos pintar estrelas para receber as noites de primavera! Contamos convosco! Se estiver a chover, continuamos no fim de semana… vamos para a praça!
Fonte: Arquivo Fotográfico de Lisboa
O espaço ao redor Fruto de um processo que envolveu fortemente a comunidade local, impulsionado, desde 2015, pelo “Movimento pelo Jardim do Caracol da Penha”, o Jardim do Caracol da Penha  é o novo espaço verde mais próximo da Escola Básica Sampaio Garrido. O logradouro com cerca de 10 000 m2, localizado entre a Rua Cidade de Liverpool e a Rua Marques da Silva, iniciou as obras de requalificação em 2019 para dar lugar a um Jardim com aproximadamente 5000 m2 de área de usufruto e lazer. Com uma vista magnífica, o novo espaço verde será mais um lugar de excelência na cidade onde atividades direcionadas aos mais novos poderão ser promovidos pela comunidade escolar. Após sucessivos atrasos na obra, e sem data prevista para a abertura, aguardamos a conclusão dos últimos trabalhos que membros da APEE, ativos no “Movimento pelo Jardim do Caracol da Penha”, estão a monitorar.  Um pouco mais abaixo num dos grandes eixos do centro da cidade de Lisboa: a Avenida Almirante Reis tem sido palco de discussão. Entre os dias 25 e 28 de Fevereiro a Junta de Freguesia de Arroios realizou três sessões com associações, comerciantes e utilizadores em geral para discussão de novos desígnios para aquele traçado. Dia 23 de março vai haver uma Sessão de Participação Pública para Apresentação da Proposta de Alterações, no Fórum Lisboa, às 21H, com inscrição obrigatória para entrada em avenidaalmirantereis@jfarroios.pt. Apelamos à participação dos nossos associados para que juntos possamos contribuir para a transformação da Avenida da Almirante Reis numa via com melhores condições para as crianças circularem em segurança e com autonomia. A cooperativa Trabalhar com os 99% reuniu-se recentemente com o novo executivo da Junta de Freguesia de Arroios para apresentar a proposta de reabilitação da Praça das Novas Nações, apresentado no Orçamento participativo 2018/2019. Foi manifestada a necessidade urgente de operacionalização da sua reabilitação e de se dar um sinal às pessoas e, sobretudo, aos alunos e alunas da Escola que se envolveram nas discussões sobre esta Praça, que a sua voz e participação tem consequência nas decisões sobre os espaços públicos da sua cidade. Enquanto aguardamos novos desenvolvimentos a APEE faz um desafio aos EE e comunidade em geral: Vamos para a praça! As praças são definidas pelo seu uso predominante, configurações cénicas acolhidas no seu interior. Vamos construir um programa para este lugar: uma expansão social da escola para potenciar encontros, permanência, acontecimentos, práticas sociais de manifestação de vida urbana e comunitária, tirando partido da sua função estruturante para aproximar famílias e escola
HÁ VIDA NA APEE
A falar é que a gente se entende! Um dos propósitos da APEE é estabelecer diálogo com todos os que fazem parte do universo que rodeia a Escola Básica Sampaio Garrido. Responder a questões e dúvidas que nos são colocadas diariamente, entender a atuação, planificações e objetivos do Agrupamento em diversas áreas para assim estreitar laços e definir estratégias em conjunto com os diversos setores da vida escolar. Neste sentido foram já promovidas diversas reuniões com elementos que fazem parte do dia-a-dia dos nossos educandos, tais como o Coordenador da Escola Básica Sampaio Garrido, o Professor Pedro Domingues; a Diretora do Agrupamento de Escolas Nuno Gonçalves, a Professora Isabel Dionísio; a Presidente da Junta de Freguesia de Arroios, Madalena Natividade, em conjunto com Teresa Pedroso, do executivo, e Ana Soares, da Secção de Educação e Juventude; e com a Coordenadora das AECs, CAF e AAF, a professora Mercês Oliveira Dias. A síntese mais completa sobre estas reuniões pode ser consultada aqui
Assembleia Geral da APEE dia 1 de abril Queremos também continuar a ouvir as famílias. A nossa próxima Assembleia Geral será no dia 1 de abril (não, não é mentira!). Agradecemos a divulgação desta Assembleia Geral a outros pais e EE’s que possam estar interessados em participar ou em fazerem-se sócios. A convocatória seguirá numa comunicação à parte.
Somos sócios e não pagamos quotas?  A APEE Sampaio Garrido ainda não tem conta bancária. Infelizmente, a maioria dos bancos cobra taxas de manutenção, mesmo a associações sem fins lucrativos, como a nossa. A única exceção é o Millenium BCP, pelo que estamos a prosseguir os esforços iniciados durante o ano letivo passado para abrir uma conta nessa instituição. Havia uma discrepância entre a designação da nossa associação no registo nacional de pessoa coletiva e aquela que constava dos estatutos, o que levantava problemas do ponto de vista legal. Alterados os estatutos, foi necessário assegurar vários passos burocráticos para atualizar a designação oficial da nossa associação. Concluído o processo, fomos informados que seria ainda necessária uma ata da assembleia geral mandatando os corpos gerentes para abrir a conta. Aproveitamos este pretexto para realizar uma assembleia geral extraordinária, aproveitando para conversar sobre outros assuntos da escola com os EE´s. Estando já a nossa lista de sócios atualizada, assim que este processo esteja concluído enviaremos a todos os sócios os dados necessários para poderem proceder ao pagamento das suas quotas.
Projeto Hora de SER  A Turma do 4A tem desenvolvido o projeto Hora de Ser em parceria com a APAV e APEE Sampaio Garrido. O Hora de SER é um programa de prevenção da violência para crianças dos 6 aos 10 anos de idade, que pretende promover relacionamentos positivos pautados pela tolerância, igualdade e não-violência. Para mais informações https://apav.pt/ser/ 
DEBATES
Chumbar melhora as aprendizagens? A escola pública desempenhou um papel fundamental naquela que é consensualmente considerada uma das grandes conquistas da democracia. Talvez a melhor forma de fazer justiça a esse papel seja iniciar um debate sobre o que se pode fazer para a melhorar. Desde logo, olhando para aquela que continua a ser uma das principais fragilidades do sistema educativo português: a retenção.  Em 2012, por exemplo, cerca de 35% das crianças haviam sido retidas pelo menos uma vez até concluírem o nono ano de escolaridade. São muitos os que em toda a comunidade educativa continuam a acreditar que a retenção é fundamental para a melhoria das aprendizagens, mas quase todos os estudos disponíveis demonstram que raramente é. Um pequeno estudo, com o título “Chumbar melhora as aprendizagens?”, promovido pelo projeto AQeduto da Fundação Francisco Manuel dos Santos, dá alguns números a estas ideias. 
Parentalidade em tempos de guerra “A guerra pode afectar profundamente as crianças/jovens – a forma como pensam e sentem. Mesmo quando acontece a milhares de quilómetros de distância, pode colocar em causa a sua necessidade de ver o mundo como um lugar seguro e previsível.” A APEE partilha um documento produzido pela Ordem dos Psicólogos sobre como falar da guerra às crianças.
INFORMAÇÕES ÚTEIS
SOL para todas as crianças Portugal ocupa, em vários índices sobre saúde oral, os últimos lugares de todos os países da União Europeia. Nesse sentido, a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML) criou o SOL – Saúde Oral em Lisboa, um serviço odontopediátrico situado junto à Alameda com o objetivo de ajudar a melhorar os níveis de saúde oral dos mais novos.  Os serviços do SOL podem ser utilizados por qualquer utente com idade compreendida entre os 0 e 17 anos e 365 dias, que resida ou frequente um estabelecimento de ensino no concelho de Lisboa, qualquer que seja a sua condição social e/ou económica. A utilização dos serviços e tratamentos está isenta de qualquer pagamento, exceto nos tratamentos e intervenções em ortodontia. No entanto, os beneficiários de Abono de Família estão totalmente isentos do pagamento em qualquer ato, tratamento e intervenção no SOL. 
As férias da Páscoa estão aí, e agora? Porque sabemos que nem todas as famílias têm férias, fazemos uma síntese da oferta pública de atividades disponíveis entre 11 e 18 de abril nas imediações para as crianças da Sampaio Garrido. Atenção que as vagas são limitadas!  AAF/CAF SAMPAIO GARRIDO Programa de atividades na escola Sampaio Garrido para a interrupção letiva da Páscoa, acessível a todas as crianças da escola. Vai decorrer de 11 a 18 de Abril, entre as 8h e às 17h30 com prolongamento até às 19h. Programa a definir mediante o número de inscrições, que deverão ser feitas até dia 1 de abril aqui. JUNTA DE FREGUESIA DE ARROIOS  A Junta de Freguesia de Arroios também vai promover atividades durante as férias da páscoa. Segundo informação da própria JF Arroios, as mesmas serão divulgadas na 2ª feira dia 21 de março através do site e do facebook da junta. JUNTA DE FREGUESIA DO AREEIRO Inscrições a partir de 16 de março através do balcão virtual no site da Junta de Freguesia do Areeiro e limitadas ao número de vagas existentes. Este programa é direcionado a crianças dos 6 aos 12 anos e é realizado no Centro Intergeracional do Areeiro, é exclusivo a recenseados na freguesia e tem o custo de 50€ por inscrito. Mais informações através cia@jf-areeiro-pt, do número 211947395 e no facebook da Junta de Freguesia do Areeiro.  NOTA: A Junta de Freguesia da Penha de França não oferece programação análoga para a interrupção letiva da Páscoa.